Canais de aquisição: os 19 e como escolher o seu

Canais de aquisição: os 19 e como escolher o seu

Canais de aquisição são os caminhos que uma empresa usa pra encontrar e conquistar cliente novo. O livro Traction, de Gabriel Weinberg e Justin Mares (2014), lista 19, de SEO e anúncio até vendas, feira e comunidade. No B2B de ticket alto, a regra é testar poucos, medir o retorno de cada um e concentrar no que paga.

A maioria das empresas que eu atendo faz o contrário. Abre Instagram, Google Ads, LinkedIn, feira e outbound no mesmo trimestre e, no fim, ninguém sabe dizer qual deles trouxe o contrato. É como o pato: não anda bem, não nada bem, não corre bem. Aqui eu passo pelos 19 canais de aquisição, digo quais costumam pagar a conta em venda B2B de valor alto e mostro o método que eu uso pra escolher.

O que são canais de aquisição

Canal de aquisição é a porta por onde o cliente novo entra. Pode ser uma busca no Google, um e-mail frio, um aperto de mão numa feira ou a indicação de um cliente antigo. O que define o canal é o caminho que o comprador fez até chegar em você, não a ferramenta que você usou.

Vale separar dois grupos. Nos canais de aquisição de atração, o cliente vem até você: SEO, conteúdo, indicação. Nos de prospecção, você vai até ele: ligação, e-mail, LinkedIn, visita. O primeiro grupo demora mais pra dar resultado e fica mais barato com o tempo. O segundo dá resultado mais rápido e custa gente o tempo todo.

Canal de aquisição também não é a mesma coisa que canal de venda. O canal de aquisição traz a oportunidade. O canal de venda é onde o negócio fecha: reunião, proposta, contrato. Uma empresa pode atrair pelo LinkedIn e fechar numa reunião presencial, e as duas decisões são diferentes.

Quando alguém pesquisa canais de aquisição de clientes, quase sempre quer saber por onde começar. A resposta honesta é que depende de quem é o seu cliente e de quanto vale cada contrato. Canal que funciona pra loja de roupa pode quebrar uma consultoria.

Os 19 canais de aquisição do livro Traction

Weinberg e Mares escreveram o livro pensando em startup, mas a lista serve pra qualquer empresa que precisa de cliente novo. Os 19 canais de aquisição, em uma linha cada:

  • Marketing viral: o próprio produto faz o cliente trazer outro cliente.
  • Relações públicas: sair em jornal, revista e portal de notícia.
  • RP não convencional: chamar atenção com ação inesperada, que vira notícia sozinha.
  • Anúncio em buscador (SEM): pagar pra aparecer quando alguém busca no Google.
  • Anúncio em rede social e display: pagar por espaço no Instagram, LinkedIn e sites.
  • Anúncio offline: rádio, TV, revista, outdoor.
  • SEO: aparecer de graça na busca do Google, com página que responde bem.
  • Marketing de conteúdo: blog, vídeo e newsletter que ensinam e atraem.
  • E-mail marketing: relacionamento por e-mail com quem já te conhece.
  • Engenharia como marketing: ferramenta gratuita que resolve um pedaço do problema.
  • Blogs do público: aparecer nos blogs e newsletters que o seu cliente já lê.
  • Parcerias: acordo com outra empresa que já fala com o seu cliente.
  • Vendas: gente prospectando, ligando, visitando e negociando.
  • Programas de afiliados: pagar comissão pra quem indica e converte.
  • Plataformas existentes: crescer dentro de um marketplace ou loja de aplicativo.
  • Feiras: estande em evento do setor.
  • Eventos offline: encontro, café ou workshop que você mesmo organiza.
  • Palestras: subir no palco do evento que o seu cliente frequenta.
  • Comunidade: grupo de clientes e interessados que se ajudam entre si.

Repare que a lista mistura canais de aquisição pagos e gratuitos, rápidos e lentos, digitais e de corpo presente. Isso é de propósito. O livro quer que você enxergue o leque inteiro antes de escolher, porque a maioria das empresas só considera os três ou quatro canais que já conhece.

A lista completa está na página do livro no Goodreads, com a data da primeira edição. O que o livro não faz é dizer quais desses canais de aquisição servem pra quem vende contrato de cinco ou seis dígitos. Essa parte é com a gente.

Canais de aquisição que funcionam no B2B de ticket alto

No B2B de valor alto, quem compra é pouca gente, a decisão passa por mais de uma pessoa e o ciclo leva meses. Isso muda o peso de cada canal.

Na minha experiência, estes são os canais de aquisição que mais pagam a conta:

  • Vendas (outbound): quando o seu cliente ideal cabe numa lista de algumas centenas de empresas, ir atrás dele é mais rápido que esperar ele aparecer. Funciona se o ICP estiver bem definido antes da primeira ligação.
  • Parcerias: o consultor, o contador ou o fornecedor de software que já atende o seu cliente vale mais que qualquer anúncio. A confiança chega emprestada.
  • SEO e conteúdo: demoram de seis meses a um ano pra render, e depois disso trazem gestor que já chega sabendo o que quer. É o canal que fica mais barato com o tempo.
  • Palestras e eventos próprios: dez decisores numa sala valem mais que dez mil visitas no site. Ticket alto se vende olho no olho.
  • Indicação e base atual: o cliente que já comprou é o canal de aquisição mais barato que existe, e o mais esquecido. Falo dele com número logo abaixo.

Nenhum desses canais funciona sozinho por muito tempo. Em geral o que dá certo é um canal que traz a oportunidade e outro que acelera a confiança. Outbound abre a porta, conteúdo faz o decisor te levar a sério quando pesquisa o seu nome.

Uma pergunta ajuda a filtrar: onde o seu cliente ideal já presta atenção? Se ele lê uma newsletter do setor, vai a duas feiras por ano e responde no LinkedIn, esses são os canais de aquisição candidatos. Se você não sabe responder, o problema vem antes do canal, e começa em como prospectar clientes.

Os canais que raramente pagam a conta no B2B

Alguns canais de aquisição brilham no varejo e decepcionam em venda complexa. Não é que não funcionem nunca. É que custam caro pro que entregam quando o cliente é uma empresa:

  • Marketing viral: depende de o produto se espalhar sozinho entre usuários. Contrato de consultoria não se espalha assim.
  • Anúncio offline: outdoor fala com todo mundo, e o seu comprador é um diretor específico numa empresa específica.
  • Afiliados: comissão por indicação funciona bem em produto barato e de compra rápida. Em ciclo de meses, o afiliado desiste antes do contrato sair.
  • Plataformas existentes: marketplace é ótimo pra produto de prateleira. Serviço de ticket alto quase nunca é vendido em vitrine.
  • RP não convencional: pode dar um pico de atenção, mas atenção não é pipeline.

O mais caro dessa lista não é o canal em si. É o tempo do time comercial atendendo lead que nunca ia comprar. Cada canal de aquisição traz um tipo de lead, e o canal errado enche o CRM de gente sem perfil.

No varejo a conta vira ao contrário. Quem vende produto barato pra muita gente pode ganhar dinheiro com anúncio offline e afiliado. A régua pra julgar canais de aquisição não é a moda, é o encaixe com o seu ticket e o seu ciclo de venda.

Como escolher: o método do alvo (Bullseye) em três passos

Os autores do Traction chamam o método de escolha de Bullseye, o alvo. Eu aplico em três passos, e é assim que conduzo com os clientes da consultoria:

Diagrama do método do alvo para escolher canais de aquisição: listar os 19, testar 3 e focar em 1
  1. Liste os 19 canais: passe por todos, mesmo os que parecem não ter nada a ver com você. Pra cada um, responda numa linha como ele poderia trazer cliente pra sua empresa. A ideia é não descartar nada por preconceito.
  2. Teste 3 com pouco dinheiro: escolha os três mais promissores e rode um teste curto em cada, com prazo e orçamento definidos antes de começar. O teste não precisa vender. Precisa responder se aquele canal traz o lead certo e quanto custa cada um.
  3. Foque em 1: o canal que ganhou o teste recebe quase todo o esforço. Os outros saem da mesa até o primeiro dar sinal de cansaço.

No teste, todos os canais de aquisição escolhidos respondem às mesmas três perguntas: quantos leads com perfil chegaram, quanto custou cada um e quantos viraram reunião. Régua diferente pra cada canal deixa a comparação sem valor.

O passo que mais se pula é o terceiro. O teste dá certo em dois canais, a empresa fica com pena de largar um, e volta a dividir o time no meio. Foco é largar o que também funcionava.

E o alvo não roda uma vez só. A ordem dos canais de aquisição muda conforme a empresa cresce. Canal que cansou sai, e um dos que ficaram na lista volta pro teste.

Quanto custa cada canal de aquisição: a conta que decide

Escolher canal no feeling é jogar dinheiro fora com convicção. A conta que decide é simples: quanto você gastou no canal e quanto voltou de receita. Se você ainda não sabe calcular o seu custo por cliente, comece pelo CAC marketing.

Vou dar o meu exemplo. Na Speedio, empresa que eu cofundei, pra cada real em tráfego pago a gente fazia 4. Pra cada real em outbound, fazia 9. Pra cada real em key account, fazia 17.

Gráfico do retorno por real investido em três canais de aquisição na Speedio: tráfego pago 4, outbound 9, key account 17

O canal que mais rendia não era o que trazia cliente novo do zero. Era vender mais pra quem já era cliente. Base tem relacionamento, tem confiança e tem histórico, e por isso cada real ali trabalha muito mais. É a lógica do LTV: cliente vale pelo que compra ao longo do tempo, não só no primeiro contrato.

Repare que esses números não dizem que tráfego pago é ruim. Dizem que, entre os canais de aquisição que a gente tinha, cada real rendia diferente, e o orçamento tinha que seguir o retorno. Estamos no tempo da inteligência artificial: se você não quantificar, não sabe nem pra onde mandar o próximo real.

Pra fazer essa conta no seu caso, você precisa de três coisas:

  • Origem de cada oportunidade registrada no CRM: sem isso, a conta é chute. A jornada de compra B2B mostra por que essa origem se perde fácil.
  • Gasto por canal, incluindo gente: outbound sem o salário do SDR na conta parece barato e não é.
  • Receita fechada, não lead gerado: canal que gera muito lead e pouco contrato é o mais caro de todos.

O erro de abrir todos os canais de aquisição ao mesmo tempo

Tem uma tentação que eu vejo toda semana. A empresa lê uma lista dessas e quer ligar tudo. Contrata agência de anúncio, abre blog, coloca dois SDRs pra ligar e compra estande na feira, tudo no mesmo semestre.

O resultado é previsível. Cada canal recebe um pedaço pequeno de orçamento e de atenção, nenhum chega no ponto de dar retorno, e a conclusão vira “nenhum canal funciona pra gente”. O canal não falhou. Ele nunca foi testado de verdade.

Pior: quando nada dá certo, a empresa troca de agência, troca de SDR e abre mais canais de aquisição pra compensar. O buraco só fica maior.

Por isso a estratégia go to market vem antes da escolha de canal. Primeiro você sabe pra quem vende, o que vende e quanto precisa fechar. Só depois decide por onde vai buscar esse cliente. Quem inverte a ordem queima caixa no canal errado.

A lista dos 19 canais de aquisição não é um cardápio pra pedir tudo. É um mapa pra você não esquecer nenhuma porta antes de escolher a sua. No B2B de ticket alto, a porta quase sempre passa por vendas, parcerias, conteúdo, palco ou a própria base de clientes.

Escolha três canais de aquisição, teste barato, meça o retorno de cada um e fique com o que paga. E, antes de abrir qualquer canal novo, confira se o seu funil segura o lead que já chega hoje. Canal bom jogando lead num funil furado é dinheiro saindo pelo ralo.

Seu funil gera lead ou só gera tráfego?

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Perguntas frequentes

Quais são os tipos de canais de aquisição?

Os canais de aquisição se dividem em dois grupos. Os de atração, como SEO, conteúdo e indicação, fazem o cliente vir até você. Os de prospecção, como ligação, e-mail e LinkedIn, levam você até o cliente. O livro Traction detalha 19 canais dentro desses dois grupos.

Qual a diferença entre canal de aquisição e canal de venda?

O canal de aquisição traz a oportunidade, e o canal de venda é onde o negócio fecha. Uma empresa pode atrair pelo LinkedIn e fechar numa reunião presencial. As duas escolhas são diferentes e devem ser medidas separadas.

Quantos canais de aquisição uma empresa B2B deve usar?

No começo, um ou dois. O método é testar três com pouco dinheiro e concentrar o esforço no que trouxer o lead certo pelo menor custo. Abrir muitos canais ao mesmo tempo divide orçamento e atenção, e nenhum chega a dar retorno.

Como medir o resultado de um canal de aquisição?

Registre a origem de cada oportunidade no CRM e some tudo o que o canal custa, incluindo as pessoas. Depois compare com a receita fechada, não com o número de leads. Canal que gera muito lead e pouco contrato é o mais caro de todos.