Marketing de relacionamento B2B: cliente que volta

Marketing de relacionamento B2B: cliente que volta

Marketing de relacionamento é o conjunto de ações que mantém o cliente comprando de você depois da primeira venda. No B2B, ele cuida de três resultados: o cliente renova, o cliente compra mais e o cliente indica. Se nenhum desses três aparece no seu relatório, o que você tem é comunicação, e não relacionamento.

Quase toda empresa que eu atendo gasta a energia do marketing pra trazer gente nova. O cliente que já assinou contrato recebe uma newsletter genérica, um cartão no aniversário e a ligação do financeiro quando o boleto atrasa. Depois a diretoria se assusta com o churn, como se ele tivesse caído do céu.

O que é marketing de relacionamento (e o que ele não é)

O termo vem do inglês relationship marketing. A ideia é simples: tratar a venda como começo de uma relação comercial longa, e não como fim de uma transação. Em vez de perguntar “como eu fecho esse cliente?”, a empresa passa a perguntar “como eu mantenho esse cliente por cinco anos?”.

Não é brinde. Caneta, agenda e cesta de fim de ano são simpáticos, mas não mudam a decisão de renovar. Também não é programa de pontos, que funciona no varejo e quase nunca no B2B, onde quem compra é um comitê e não uma pessoa com cartão fidelidade.

E não é amizade. Eu falo isso pro time de vendas: cair bem não é o suficiente, tem que vender. Cliente que gosta de você e não renova é um cliente simpático que foi embora. Relacionamento bom se mede no contrato, não no café.

Por que marketing de relacionamento é assunto do comercial no B2B

No varejo, o cliente que vai embora é uma venda perdida. No B2B, é uma receita recorrente que some do mês, mais o upsell que não vai acontecer, mais a indicação que nunca vai chegar. A conta de perder um cliente bom é muito maior do que a de não ganhar um novo, e é por isso que o marketing de relacionamento não pode ser tarefa só do marketing.

E o cliente percebe a diferença entre ser lembrado e ser cobrado. Na pesquisa State of the Connected Customer de 2019, a Salesforce ouviu 8.022 pessoas, entre consumidores e compradores de empresas, e 84% dos clientes disseram que a experiência que uma empresa oferece é tão importante quanto os produtos ou serviços dela. Ou seja: o que acontece depois da venda pesa tanto quanto o que você vendeu.

Relacionamento tem um efeito que nenhuma campanha compra, e eu aprendi isso do lado de gestão. Uma vez precisei de um vendedor pra um cliente. Liguei pra 10 pessoas que tinham trabalhado comigo. Os 10 toparam, os 10 empregados, ganhando bem. Ninguém aceita uma ligação dessas por causa de um e-mail bonito. Aceita porque a relação foi construída antes de alguém precisar dela.

Com cliente é igual, e esse é o coração do marketing de relacionamento. A indicação que chega no dia em que você precisa de pipeline foi plantada dois anos antes, em cada entrega cumprida e em cada problema resolvido sem o cliente ter que gritar. Quem só lembra do cliente na renovação chega na conversa sem nada no banco.

Marketing de relacionamento e fidelização: a base que ninguém olha

Fidelização é a consequência. O que o marketing de relacionamento faz é criar as condições pra ela acontecer, e a matéria-prima está no seu CRM, parada.

Toda empresa tem uma pilha de gente esquecida: o cliente que comprou uma vez e sumiu, o ex-cliente que saiu sem briga, a proposta que não fechou por timing. O pessoal costuma chamar isso de base morta. Eu chamo de lixo, de propósito, porque é no lixo que está o ouro. Estudar esse banco de dados inteiro, achar os gatilhos de cada um e voltar a falar com eles na hora certa é a repescagem da base.

O cliente que já te conhece tem duas vantagens sobre o lead novo. Ele não precisa ser convencido de que você existe, e ele já sabe como você trabalha. Se a experiência foi boa, metade da venda está feita antes de o vendedor ligar.

Se a experiência foi ruim, também é informação, e o marketing de relacionamento começa por ela. Ex-cliente que saiu irritado diz exatamente onde a sua operação falha, e de graça. Muitas vezes o motivo da saída já foi resolvido e ninguém avisou a ele.

6 estratégias de marketing de relacionamento B2B

Estas são as seis que eu vejo funcionar em empresa de serviço e de software B2B. Nenhuma exige ferramenta cara. Todas exigem dono e rotina.

  • 1. Onboarding com marco de sucesso: os primeiros 90 dias decidem a renovação. Defina com o cliente qual resultado ele precisa ver nesse prazo, e cobre o seu time por ele.
  • 2. Revisão de resultado a cada trimestre: uma reunião curta mostrando o que o cliente ganhou com você, em número. Cliente que não vê o resultado esquece que ele existe.
  • 3. Conteúdo pra quem já é cliente: o material do marketing raramente fala com a base. Um e-mail mensal com o que outros clientes estão fazendo, ou um alerta do setor, mantém você lembrado pelo motivo certo.
  • 4. Gatilho de expansão: combine com o comercial quais sinais indicam que o cliente está pronto pra comprar mais, como crescimento do time, nova unidade ou meta batida. Sinal aceso, alguém liga.
  • 5. Pedido de indicação com hora marcada: indicação não acontece por acaso. O melhor momento é logo depois de um resultado entregue, quando o cliente está satisfeito e tem o caso fresco na cabeça.
  • 6. Reativação de ex-clientes: uma cadência pra quem saiu há mais de seis meses, abrindo pelo que mudou na sua empresa desde então.
Linha do tempo com 6 estratégias de marketing de relacionamento B2B, do onboarding à reativação de ex-clientes

A estratégia 1 é a que mais se pula, e é a mais barata. Cliente que não teve resultado nos primeiros meses começa a renovação procurando motivo pra sair. Quem estrutura isso de verdade é a área de customer success, com dono e métrica.

A estratégia 4 é onde marketing e vendas mais se desencontram. O marketing manda conteúdo pra base, o vendedor não fica sabendo de quem abriu, e o sinal de compra passa batido. O upsell começa no gatilho, não na meta do mês.

Marketing de relacionamento e CRM: onde a memória mora

Relacionamento depende de memória. Quando o vendedor que atendia a conta sai da empresa, a relação vai junto se tudo estava na cabeça dele ou no WhatsApp pessoal. O cliente sente na hora: a pessoa nova pergunta coisas que ele já respondeu três vezes.

Por isso o CRM é a peça central do marketing de relacionamento B2B. Ele precisa guardar pelo menos quatro coisas por cliente: quem decide e quem usa, o que foi prometido na venda, o histórico de problemas e a data do próximo contato combinado.

O erro comum é usar o CRM só até o fechamento. A oportunidade vira “ganha”, o card some do funil e o cliente cai num buraco onde ninguém olha. O pós-venda precisa de um funil próprio, com etapas e responsável, igual ao da venda nova.

Isso também vale pra quem divide a carteira entre vendedores. Uma carteira de clientes bem dividida diz quem cuida de cada conta. Sem isso, cliente de médio porte fica sem dono, porque é grande demais pro atendimento e pequeno demais pro gerente de contas.

Marketing de relacionamento: exemplos pra adaptar

Os exemplos abaixo são ilustrativos, montados pra mostrar o mecanismo. Troque pelo seu segmento e pelo seu ciclo de venda.

  • Software de gestão: no 60º dia, o gerente de contas manda pro diretor um resumo de uma página com o tempo que a equipe dele economizou desde a implantação. Na renovação, o número já está na mesa.
  • Indústria de embalagens: o comercial avisa o cliente dois meses antes do reajuste de matéria-prima, com a sugestão de antecipar o pedido. O cliente lembra quem avisou.
  • Consultoria: seis meses depois do fim do projeto, o consultor liga pra perguntar se o processo implantado continua rodando. Metade das vezes, a resposta abre um projeto novo.
  • Serviço de manutenção: o técnico registra no sistema tudo que viu de risco na visita, e o comercial transforma isso em proposta preventiva antes da quebra.
  • Agência B2B: depois de um resultado bom, a agência pede ao cliente duas indicações, com o texto da mensagem já escrito pra ele só encaminhar.

Repare que nenhum exemplo é brinde nem data comemorativa. Todos usam uma informação que o cliente não tinha, ou um resultado que ele ainda não tinha visto. Relacionamento B2B é ser útil no momento certo, não ser lembrado em qualquer momento.

Como medir se o marketing de relacionamento está virando receita

Ação de relacionamento sem número vira gasto de simpatia. Eu olho quatro indicadores na base, todo mês:

  • Taxa de renovação: de cada 10 contratos que venceram, quantos renovaram. É o espelho do churn, lido pelo lado bom.
  • Receita de expansão: quanto entrou de upsell e cross-sell em cliente que já existia, separado da venda nova.
  • Indicações recebidas: quantas oportunidades vieram de cliente, e quantas delas fecharam. Na minha experiência, indicação fecha mais rápido que lead frio.
  • Satisfação com motivo: a nota do NPS, sempre acompanhada do porquê. A nota sozinha não diz o que consertar.
Os 4 indicadores pra medir marketing de relacionamento: renovação, expansão, indicações e satisfação

O sinal mais claro de que o marketing de relacionamento não está funcionando é a renovação virar negociação de preço. Quando o cliente chega na renovação pedindo desconto, é porque ele não enxerga o que ganhou no último ano. Faltou alguém mostrar.

Um teste rápido, que não precisa de relatório. Pergunte pro seu time quem são os cinco clientes mais propensos a indicar a empresa hoje. Se ninguém souber responder, a base está sem dono, e nenhuma ação de marketing de relacionamento vai pegar enquanto isso não mudar.

Dono, aqui, é uma pessoa com nome, não uma área. Pode ser o gerente de contas, o CS ou o próprio vendedor que fechou. O que não pode é a resposta ser “todo mundo”, porque todo mundo cuidando quer dizer ninguém ligando.

Conclusão

Marketing de relacionamento é o que faz o cliente renovar, comprar mais e indicar. No B2B, ele mora no comercial tanto quanto no marketing: precisa de onboarding com meta, revisão de resultado, CRM que lembra de tudo e um responsável pela base com nome e sobrenome.

As indicações e os clientes que voltam também passam pelo seu site antes de falar com alguém. Se a página não transforma essa visita em contato, o relacionamento que você construiu bate na porta e não encontra ninguém.

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Perguntas frequentes

O que é marketing de relacionamento?

É o conjunto de ações que mantém o cliente comprando depois da primeira venda. No B2B, ele busca três resultados: renovação, compra de mais produtos ou serviços e indicação de novos clientes.

Qual o principal objetivo do marketing de relacionamento?

Aumentar o tempo que o cliente fica com a empresa e o quanto ele compra nesse período. Cliente que fica mais tempo dilui o custo de aquisição, compra mais e traz outros clientes parecidos com ele.

Qual a diferença entre marketing de relacionamento e CRM?

Marketing de relacionamento é a estratégia, o que a empresa decide fazer pra manter o cliente. CRM é a ferramenta que guarda a memória dessa relação: quem decide, o que foi prometido e quando é o próximo contato. Sem CRM, a estratégia depende da memória de cada vendedor.

Marketing de relacionamento é a mesma coisa que customer success?

Não. Customer success é a área que garante que o cliente tenha o resultado que comprou, com dono e métrica. O marketing de relacionamento é mais amplo: inclui a comunicação com a base, o pedido de indicação e a reativação de ex-clientes, e depende do customer success funcionando.