Proposta comercial de prestação de serviços

Proposta comercial de prestação de serviços

Proposta comercial de prestação de serviços é o documento em que o escopo faz o papel que o produto faz na venda de coisa: ele é o que o cliente está comprando. Sem produto físico pra apontar, cada linha do escopo vira promessa, e o que ficou de fora vira briga.

Abaixo vai um exemplo de proposta comercial de verdade, seção por seção, com o comentário de por que cada parte está ali. Uso uma empresa de TI vendendo suporte gerenciado, porque é o caso em que os erros de serviço aparecem todos juntos. Se você vende contabilidade, manutenção ou marketing, a lógica é a mesma.

O que muda na proposta comercial de prestação de serviços

Três coisas, e todas as três custam dinheiro quando ninguém trata delas.

O escopo é o produto. Numa venda de equipamento, o cliente vê o que compra. Em serviço ele compra uma descrição. Escopo ambíguo não é generosidade, é dívida que vence no terceiro mês.

A hora tem custo e ninguém escreve isso. Serviço se entrega com gente, e gente tem calendário. Proposta que não diz quantas horas, quantos atendimentos ou quantas visitas está vendendo infinito por preço finito.

O fim precisa existir. Contrato de serviço sem critério de saída vira relação eterna sem régua, e quando o cliente resolve sair, sai insatisfeito por motivo que nunca foi combinado.

E vale a regra que eu repito em toda consultoria: quanto maior o ticket, mais dinheiro você deixa na mesa por não estudar o cliente antes de escrever. Em serviço isso pesa mais, porque o material da call é literalmente a matéria-prima do escopo.

Exemplo de proposta comercial de prestação de serviços, seção por seção

A estrutura é a mesma das sete seções da proposta comercial. O que muda é o que vai dentro. Abaixo, o texto do exemplo em itálico e o comentário embaixo.

1. Capa. “Suporte gerenciado de TI para a Vertelli Alimentos. Proposta v1.0, 12 de março, válida até 26 de março.”

Validade com data está aí de propósito. Proposta de serviço sem validade envelhece no e-mail do cliente e volta seis meses depois com o preço do ano passado.

2. Resumo executivo. “A Vertelli tem 140 máquinas em três unidades e nenhum inventário centralizado. Hoje o chamado chega pelo WhatsApp de um analista, que atende quando consegue. Proponho assumir o suporte com SLA escrito e um inventário vivo, começando em 1º de abril, por R$ 18.400 ao mês.”

Meia página que já responde as três perguntas: o que ele tem, o que eu faço, quanto custa. Escrita pra quem só vai ler isso, porque tem gente na cadeia de decisão que só vai ler isso.

3. Abordagem e escopo. “Incluso: atendimento 8h às 18h em dias úteis, até 90 chamados por mês, inventário atualizado mensalmente, backup monitorado. Não incluso: plantão noturno e fim de semana, licença de software, compra de hardware, projeto de rede nova.”

Duas listas, sempre. E olhe o teto de 90 chamados: é ele que transforma “suporte” de infinito em serviço mensurável. Custo de software na lista de fora, sem exceção, em qualquer proposta de serviço.

4. Entregas e prazo. “Semana 1: inventário das três unidades. Semana 2: canal de chamado no lugar do WhatsApp. Semana 4: primeiro relatório de SLA. A partir do mês 2: operação em regime.”

Serviço recorrente parece não ter marco, e é por isso que os primeiros trinta dias somem. Marcos nas primeiras semanas dão ao cliente algo pra ver antes da primeira fatura.

5. Sobre nós. “Sete anos operando TI de indústria de alimentos. Três clientes do porte da Vertelli, um deles com quatro unidades.”

Duas linhas, e ambas amarradas no segmento dele. Prêmio e ano de fundação não entram: quem lê quer saber se você já resolveu este problema, não se você é antigo.

6. Investimento. “Essencial R$ 14.200: horário comercial, 60 chamados. Completo R$ 18.400: 90 chamados, relatório de SLA, inventário. Estendido R$ 24.900: inclui plantão até 22h.”

Três opções, e o meio é o que você quer vender. Preço único em serviço empurra a conversa direto pro desconto, porque não existe nada pra ele negociar além do valor.

E por cima das três, ofereça condições de pagamento diferentes pro mesmo pacote: mensal, trimestral com desconto, anual com desconto maior. Em serviço recorrente é o caixa do cliente que trava a assinatura, não o valor. Duas alavancas separadas, escopo e condição, e a maioria dos vendedores usa uma só.

7. Termos e aceite. “Contrato de 12 meses, rescisão com 30 dias de aviso. Reajuste anual pelo IPCA. Critério de saída: SLA abaixo de 90% por dois meses seguidos libera rescisão sem multa.”

O critério de saída é a seção que ninguém escreve e a que mais fecha negócio grande. Ele diz ao cliente que você aceita ser medido, e isso vale mais que qualquer adjetivo na seção anterior.

As duas regras que fazem esse exemplo funcionar

Elas são da casa e não estão na estrutura, estão em como você escreve dentro dela.

Todo número bom do cliente vem desmontado. Se o diagnóstico achou um indicador que parece bom, escrever ele cru é vender contra você mesmo: o cliente bate o olho, conclui que está tudo bem e não contrata. No exemplo acima, se a Vertelli tivesse 95% de chamados resolvidos, a linha certa seria explicar que a conta só considera o que entrou pelo canal oficial, e que o chamado que morre no WhatsApp nunca é contado. Se você não tem uma explicação honesta pro número bom, ele não entra na proposta.

A proposta não pinta o cliente como caso perdido. Empresa que fatura bem há vinte anos não aceita ser tratada como operação quebrada, e quando isso acontece o dono sai da conversa e delega pra alguém que só olha preço. O alvo é o teto, nunca a competência. Reconheça o que funciona antes de atacar o que falta.

Os erros que só aparecem na proposta comercial de prestação de serviços

Vender hora sem dizer quantas. O cliente vai calcular por baixo e você por cima, e os dois vão descobrir isso brigando.

Escopo sem a lista do que fica fora. Todo item que você não excluiu, você incluiu por omissão.

Prometer disponibilidade que a sua escala não sustenta. SLA de quatro horas com dois técnicos é uma promessa que a matemática desmente no primeiro mês ruim.

Reajuste sem índice. Contrato longo sem cláusula de reajuste é você financiando a inflação do cliente.

Não ter critério de saída. Sem ele, a única forma de o cliente medir o serviço é pela irritação acumulada.

O exemplo é ponto de partida, não gabarito

Copie a estrutura, não o conteúdo. O que faz essa proposta fechar é o quanto o escopo reflete a conversa que você teve. Cabelo branco não é uma coisa que se passa: o exemplo te dá o lugar da leitura do cliente, nunca a leitura.

Se você quer a estrutura em branco pra preencher, o modelo de proposta comercial traz as sete seções com o que escrever em cada uma. E se o próximo passo é apresentar isso numa reunião em vez de mandar por e-mail, a apresentação comercial tem os 8 slides.

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Perguntas frequentes

O que deve ter numa proposta comercial de prestação de serviços?

As sete seções: capa com validade, resumo executivo, abordagem e escopo com o que fica fora, entregas com marcos nas primeiras semanas, sobre nós amarrado no segmento do cliente, investimento em duas ou três opções com condições de pagamento, e termos com critério de saída. O que separa serviço de produto é que o escopo é o próprio produto.

Como fazer um exemplo de proposta comercial que não fica genérico?

Escreva o problema com as frases que o cliente usou na call e use os números que ele mesmo citou. Teste depois: conte quantas frases da sua proposta não poderiam ser mandadas pra outro cliente do mesmo segmento. Se der duas ou três, você mandou um template com o nome trocado.

Preciso colocar o preço na proposta de serviço?

Sim, e em duas ou três opções, com condições de pagamento diferentes para cada uma. Preço único leva a conversa direto pro desconto, porque não sobra nada pra negociar além do valor. Com opções de escopo e de pagamento, o cliente monta a versão dele em vez de discutir número.

O que é critério de saída numa proposta de serviço?

A condição objetiva que libera o cliente do contrato sem multa, amarrada num indicador do próprio serviço. Contrato recorrente sem régua vira relação eterna sem medição, e essa é a seção que mais destrava negócio grande: ela prova que você aceita ser medido.